Os Piores Escritores Contemporâneos Brasileiros



   Todos sabemos que brasileiro é desanimado com a literatura. Um dos grandes motivos para isso, e já foi até considerado em um artigo anterior, é o modo pragmático com que a literatura nos é apresentada na escola. Para piorar, a quantia de livros chatos, arrastados, na literatura brasileira, é maior que a quantia de livros bons; o que torna, matematicamente, mais fácil não gostarmos da literatura brasileira do que gostarmos da mesma.
   Há inúmeros exemplos de livros ruins na era clássica da literatura brasileira, mas, na atualidade, também não melhoramos muito. Nesse artigo eu vou escrever sobre alguns escritores brasileiros  muito ruins da atualidade. Eu me baseei, além da minha opinião pessoal, em reclamações dos leitores desses escritores. Não significa que não hajam pessoas que possam ter gosto para esses escritores, não estou sugerindo que você não deva experimentar lê-los; tampouco pretendo que esse artigo seja uma verdade absoluta. É um artigo de opinião e você pode dar a sua nos comentários. Concorde comigo... ou defenda seu escritor; ambos os tipos de comentário considerarei enriquecedor, ok?

   Um dos escritores muito criticado, principalmente por linguistas e professores de Letras, é Paulo Coelho. Ao lado, você vê a capa do livro "Porque não ler Paulo Coelho"; não é qualquer escritor que tem um livro dedicado a críticas negativas. Seus críticos afirmam que as tramas de suas histórias dão tédio, que o conteúdo esotérico das história é bobinho e que o escritor não tem domínio sobre a língua portuguesa, que é seu idioma nativo. Para corroborar com esses críticos, eu citarei uma frase de "O Alquimista", do escritor Paulo Coelho:

  “Os cavaleiros entraram no oásis…, parecia uma expedição de paz, mas haviam armas escondidas sobre os mantos.” 
  Como derivar prazer em ler um livro que o inimigo esconde as suas armas "sobre" os mantos, ao invés de "sob" ou "debaixo de"?


  Sem mais sobre Paulo Coelho, passemos para o próximo escritor ruim.
  Sendo eu um entusiasta da literatura de mistério, como os romances policiais, por exemplo, aplaudo as tentativas dos escritores brasileiros de escrever dentro desse gênero. Aplaudo, mesmo que o livro seja ruim, pelo menos foi uma tentativa. Mas também não livro o escritor das devidas críticas. É assim que eu me refiro as tentativas literárias de Jô Soares. Aplaudo a iniciativa do humorista em tentar escrever alguma coisa boa dentro da literatura de mistério; aplaudiria mais ainda se ele tivesse conseguido escrever alguma coisa boa.
  Um dos erros do Jô, em minha opinião, foi a falta de estratégia na escolha das palavras. Eu escrevi aqui sobre a importância de escolher bem as palavras no texto. 
  O escritor Jô Soares errou por usar uma linguagem rebuscada, inapropriada para o seu público alvo. A menos que o público-alvo dele sejam linguistas e professores de letras; o que seria, para um escritor, como entrar voluntariamente na cova dos leões, por assim dizer. Portanto não acho que o público alvo do Jô sejam esses acadêmicos.
  Vou dar também um exemplo, e é só um dos muitos exemplos que eu poderia dar. O Jô Soares escreveu tantas vezes que o assassino tem seis dedos em cada mão, em "O Homem que Matou Getúlio Vargas", que precisou usar sinônimos para não enjoar o leitor; aí ele vem com pérolas como "... era causado pelo fato de ele ter doze artelhos" (pg 169). Mesmo que muitos já saibam que artelho é um termo mais técnico para dedo, eu acho que ninguém quer ler que uma pessoa tem artelhos, e sim que uma pessoa tem dedos. Usar certas palavras rebuscadas causa uma estranheza negativa que enjoa o leitor com sinônimos do mesmo jeito que se usasse a mesma palavra. Para você ter uma idéia do rebusque dessa palavra, "artelho" nem está sendo reconhecido pelo corretor ortográfico enquanto eu escrevo. 
  Esse erro do Jô serve para nos lembrar da importância de se fazer uma economia positiva no texto. Redundâncias irritam o leitor; assim como ficar repetindo muito a mesma informação. Bastaria que o Jô Soares escrevesse uma única vez que o assassino tem doze dedos, de uma forma bem evidenciada. Depois o leitor saberia porque aconteceu isso ou aquilo (falo assim para não dar spoiler) pelo fato do personagem ter doze dedos.
  Vale destacar também, a péssima escolha do escritor Jô Soares em satirizar o personagem que, para os possíveis leitores de seus livros, certamente é o maior ícone da literatura policial: ninguém menos que Sherlock Holmes. Personagem este, integrado por Jô Soares como sendo o protagonista de seu livro "O Xangô de Baker Street." Recriar um Sherlock Holmes bobalhão e caricato foi o que, de fato, irritou os leitores do livro. 

  Por último e não "menos pior", eu gostaria de falar sobre os insossos romances de Chico Buarque. Escritor que, inexplicavelmente, tende a ganhar o prêmio Jabuti em cada obra que publica. A minha crítica ao escritor é tão simples que já fiz: é simplesmente insossa, sem graça. Agravado, talvez pelos prêmios Jabuti que o Chico Buarque recebe, mas que entalam na nossa goela. 
  Seu livro "O Irmão Alemão", uma auto-ficção (saiba mais aqui), o desperdício de palavras na tentativa de recriar um cenário de São Paulo na década de sessenta se resume a fazer questão de dizer nomes de ruas, marcas de carros, nome de bares e restaurantes; e como esse escritor se engana ao pensar que recriar um cenário rico e detalhado se resume a ficar botando nomes nas coisas! 

  Seu livro "Fazenda Modelo", não passa de uma grande "conversa para boi dormir", literalmente, já que é uma chatíssima fábula de bois. Só esta vez, eu sugiro julgar esse livro pela capa (ao lado).
  Já o seu livro "Estorvo", onde seu personagem vê a fazenda de sua família invadida por traficantes, Chico Buarque nos poupa de critica-lo nomeando o livro com a crítica perfeita ao próprio livro. Ele demonstra nesse livro que a falta de economia nas palavras é um vício de escrita dele. Prepare-se para ler um texto com coisas do tipo Abro a porta, Olho para a janela, Pego isso, Faço aquilo... Na boa, ao dizermos que a personagem entrou na casa já fica subentendido que ele abriu a porta, portanto é um total desperdício dizer que 'abriu a porta'. Tanto sofrimento para quem aguentar ler o livro até o fim para uma porcaria de final que faz você sentir o quanto desperdiçou o seu tempo na história.
  A campanha Chico, devolve o Jabuti, contou com mais de oito mil assinaturas, em protesto ao escritor ser premiado com seus romances ruins.

  Bom, a grande vantagem de termos livros ruins é para aprendermos como não devemos escrever um. Como diria Owaldo Cruz: "Pelos erros dos outros, o homem sensato corrige os seus."


11 comentários:

  1. Fernando, alguns comentários sobre seu texto:
    Não li Paulo Coelho e Jô Soares, mas li Chico Buarque e, realmente, não merece qualquer prêmio (acho qui li Budapeste).
    Um que tem bem pouca técnica, mas que escolhe assuntos de grande apelo e abusa de adjetivos e advérbios (além de alguma capacidade de manter o leitor em suspenso) é o Dan Brown (li Código Da Vinci e Inferno).
    Se compararmos com os escritores de até as décadas de 60 e 70, dificilmente alfum grande prêmio nas últimas 3 décadas foi bem metecido.
    Tem ainda aqueles escritores que abusam da paciência do leitor, com sintaxes esquisitas, um fluxo de consciência horroroso, fazendo com que tenhamos de reler duas ou três vezes um parágrafo.
    Por fim, faço há alguns anos o sugerido pelo Oswaldo Cruz: perco algum tempo lendo textos ruins, para ensinar meu cérebro a nunca fazer daquilo.

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    1. Confesso que a muito tempo não vejo alguém "arrematar" tão bem um texto que já foi escrito bem.

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    2. Dan Brown! Verdade. Sempre escrevendo uma mesma história, os mesmos conflitos, os mesmo assuntos, livro após livro. Bem lembrado, sem dúvida é um dos piores escritores da atualidade. E é muito chato ver o hype que fazem em volta desses escritores que precisam apelar para terem visibilidade.

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  2. Paulo Coelho é ruim mesmo, mas, pelo menos conta as histórias insossas dele; Chico e Jo desfrutam do fato de ja serem famosos: eles não são escritos!

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    1. Paulo Coelho é o único dos três que é escritor mesmo.

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  3. Preciso concordar quanto ao Paulo Coelho. Tentei por duas vezes ler livros diferentes dele e não tive sucesso, muito monótonos!
    Nunca li Chico Buarque e, quanto ao Jô, gostei do que li, apesar de concordar com várias das críticas que fizeste.
    Apesar disso, gosto de ressaltar autores brasileiros que considero excepcionais como Marcelo Rubens Paiva, Tati Bernardi e Raphael Montes.

    BLOG COISA E TAL

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    1. Tem muitos escritores e escritoras brasileiros muito bons atualmente. Eu gosto de Ana Miranda com seus romances históricos. Dos exemplos que você deu, eu conheço o Marcelo Rubens Paiva, o livro dele "Blecaute" é muito bom. Eu vou fazer, para ser justo, um artigo sobre bons escritores da atualidade.

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  4. Salve.
    Na verdade, alguns escritores vendem livros porque são famosos, o que está a venda é a sua fama o público curioso compra, você pode escrever o melhor livro do mundo, mas se você não for famosa (o) ficara difícil emergir num oceano de propostas.
    Atenciosamente
    Andreia Camargo.

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    1. É esse o problema com a literatura brasileira. O escritor que faz sucesso o faz por ser pop e não por ter qualidade. Se cultuarmos escritores ruins, seus trabalhos ruins aparecem e os escritores bons ficam desconhecidos.

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  5. Bom, não li nenhum livro de nenhum dos autores mencionados. Eu leio muita literatura nacional e tenho tido a sorte e o prazer de ler muita coisa incrível.

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Então vc não sabe como é a sensação de pegar um livro ruim e fazer o esforço de ler só para ver como acaba... sortudo!

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